quinta-feira, 22 de maio de 2008

Egocêntrica, Como Todo Mundo

Como bom ser humano, participante da sociedade, interagindo com meus "semelhantes", não posso evitar sentir um certo prazer em falar de mim mesma. Não sou tão diferente de todo o resto insípido (e isso é pior do que ser fedido) que anda por aí. Não tanto quanto gostaria. Não sei ao certo para que serve esse maldito blog, mas com certeza não é para tolhir a minha vontade de falar de mim mesma. "I`ll be your mirror." Vamos lá. Primeiro tenho que deixar bem claro que ninguém se acha imperfeito o suficiente para mudar o que está incomodando. Vou me aproveitar disso para cometer os erros que acho desprezíveis nas pessoas, como por exemplo, adorar falar de mim. E existe alguém melhor sobre qual falar?
Acredito que uma pessoa é formada por um conjunto de escolhas. Meio RPG, mas é verdade. Algumas decisões são tomadas meio que inconscientemente, mas essas são as corretas. O perigo está nas decisões pensadas e refletidas... Contradições da mente humana.
Paremos com o papo furado, pois aqui eu não preciso me justificar. Quero falar de mim mesma e pronto. Vou começar.
O principal sobre mim é que eu amo animais. Não o amor de quem trata o cachorro como criança mas vai no Porcão e come pedaços de boi em decomposição e se sente bem, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Gosto de animais de verdade. Fode-se se você me acha ridícula ou sentimental. No fundo do coração, eu odeio os carnívoros, porque eles, na sua maioria, são a classe mais hipócrita do mundo, sem se dar conta disso. Hipócritas e ignorantes. Inventam mil pretextos para continuar comendo carne ou simplesmente nem param para pensar sobre isso (na verdade o "não pensar sobre isso" é um costume muito disseminado hoje em dia). Porra, qual será o indivíduo que vai ter coragem de falar: "Não importa se eu estou contribuindo para a fome mundial, para o efeito estufa, para o desmatamento da Amazônia ou para a crueldade com os animais. Eu adoro uma picanha, foda-se quem eu prejudico para comer um bom filet mingnon." Apesar de provavelmente eu achar o cara que disser isso um bossal, não posso negar que ele tem culhão (essa é uma expressão sobre a qual eu tenho as minhas reservas, mas acabei me acostumando) e de hipócrita não tem nada. É fedorento, mas isso é melhor do que ser insípido. Acreditem, mas os insípidos são os 99% que nos circulam (se você não concorda talvez seja um insípido também). Não posso deixar de citar os indíviduos que não sabem (porque não procuram saber, é óbvio, mas eu não os culpo, pois existem muitas coisas que a gente precisa saber) que não possuem a mínima noção do que é a pecuária e o aviculturismo os malefícios que eles causam.Para esse pessoal eu até dou um desconto, afinal, fui enquadrada nesta classe durante 25 anos. Como eu disse, há muitas coisas sobre as quais a gente precisa saber, e às vezes determinamos as prioridades incorretamente. Ninguém está livre disso...
Ok. Agora você sabe que eu amo animais. Não faço por eles tudo que eu poderia, isso é uma falha de caráter. Por outro lado, não quero abrir mão de viver uma vida comum (leia "não quero abrir mão de viver a vida de um insípido e fugir da normalidade"). Portanto, eu trabalho, como, bebo água (e outras coisas também) e tenho os meus complexos de mulher. Não sou uma super-mulher, imune a rótulos. Eu os odeio, mas os uso também (contradição muito adequada a qualquer ser participante da sociedade). Essa história de "Übermensch" eu deixo para Nietzsche, que, como eu já disse, é muito mais evoluído que eu. Mais evoluído que você também...
O que mais eu posso falar de mim? Ah, o resto é nebuloso. Tenho muita, muita raiva da classe média repugnante que me circula (pois é, eu já fui pobre, o que é nobre naturalmente, mas graças a minha vontade de ser alguém eu virei porra nenhuma - será que eu consegui atingir meu objetivo?), porém eu não posso dizer que sou muito diferente deles. Talvez essa seja a minha raiva maior. Mas acima de tudo, eu posso dizer que eu tenho raiva deles porque eles nunca precisaram colocar a cabeça pra funcionar, a não ser para tirar dez numa prova (grande coisa. Os mais idiotas tiram dez numa prova, só precisa estudar, é ciência exata...). Pergunte a um mendigo o que ele acha da vida. Ele provavelmente mal sabe escrever o nome, mas tem um código moral em rascunhos para te mostrar. Pergunte ao menininho de classe média o que ele sabe da vida. Nada! Nada mesmo, vai te enrolar, enrolar e, no mínimo, acabar falando de Deus. Deprimente. Os nossos médicos, engenheiros, advogados e etc não possuem valores e princípios desenvolvidos. O que não é senso comum é um mistério... "Eu já fui à Europa, à Argentina, ao cacete a quatro mas não tenho os meus valores claramente formados. Quem precisa deles, não é verdade?"Odeios filhinhos de papai... Espero que eu nunca gere um...
Mesmo com tanta gente retardada no planeta, acho que é bom interagir com os seres humanos. Eles são divertidos. Como felinos em uma jaula (pra quem gosta de mante-los em jaulas). É um ótimo entretenimento observar seu comportamento. Não me excluo desta classe. No fundo eu sou igual. Você também. Não tenho a coragem de Schopenhauer e me isolar. Infelizmente. Ok, nem tão infelizmente assim, pois pude conhecer pessoas maravilhosas no meio dos chuchus que estão por aí... Meu namarido, Cleyton, Rosely, e outro tantos (alguns já mortos)...
Então, resumindo, eu sou isso aí. Contradição, mas com fundamento. Hipocrisia, mas por sobrevivência. Sou mentirosa descarada, mas quem não é? Mentir para si é o pior pecado (outra definição a ser discutida anteriormente), mas às vezes a gente faz... Quero deixar bem claro que não sou pretenciosa. Não sou melhor do que você. Nem um pouco. Mas eu me esforço a pensar, enquanto a maioria das pessoas não o querem porque a consciência pode pesar...

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