domingo, 10 de agosto de 2008

Eu Não Distribuo Sopão Para Mendigos!!!!

Coisas que li, vi e escutei neste final de semana (para falar a verdade coisas que vi, li e escutei a minha vida inteira) me fizeram pensar se todos nós acreditamos que temos ou não um papel a cumprir na nossa organização social. Falo de ações diretas e espontâneas, não dos atos compulsórios. Para generalizar e concretizar o que eu estou falando, vou usar a expressão “trabalho social”. Numa primeira análise, eu diria que a maioria de nós simplesmente não liga para isso, não pensa nisso. Porém um e-mail e uma entrevista me fizeram pensar que muitos de nós não realizam qualquer trabalho social por convicção.
Antes de tudo, preciso descrever o tal e-mail e a tal entrevista para que não pareça maluca ou desconexa. O e-mail era uma carta aberta ao Renato Aragão, criticando fortemente o fato do mesmo pedir colaborações financeiras para a Unicef. A autora da carta diz que já paga impostos demais, que trabalhar não mata ninguém (ela deve adorar a China e a Indonésia) e que era uma afronta alguém pedir para ela colaborar em qualquer trabalho social. A entrevista era a do Luciano Huck na Marília Gabriela dizendo que nunca se achou na obrigação de realizar um trabalho social, mesmo com toda a visibilidade e dinheirama dele (porém ainda assim ele criou um projeto fantástico que planejo citar numa próxima postagem).
Usando minha técnica usual de morde-assopra, agora tenho que falar que não estou tentando convencer todo mundo a abrir mão de 70% de seu salário honestíssimo e merecido (acho até que a maioria de nós merecia mais) e começar a dar sopa para os mendigos e comprar livros para os meninos de rua. Mesmo admirando os altruístas, não estou disposta a mergulhar na abnegação. Assim como você, quero viajar, comprar eletroeletrônicos modernos e comer em restaurantes legais. Eu mereço isso, você também. Mas, justamente por podermos sonhar com isso, por poder nos dar o direito a ter caprichos, é que temos também a obrigação de fazer o mínimo para os que, por enquanto, estão sonhando com saúde, alimentação, transporte e educação adequados.
Quando o digo o mínimo, estou me referindo ao mínimo mesmo. Aquela história de “cada um fazendo a sua parte” pode funcionar. É mais fácil do que parece fazer alguma coisa que não seja em benefício próprio. Dê uma rápida procurada na vizinhança, na internet, faça uma pequena reflexão sobre quem você gostaria de ajudar (meninos de rua, idosos, animais abandonados, crianças com câncer, o meio-ambiente, etc., etc.) e pronto! Ajude com uma pequena quantia todo mês, ou leia para cegos um fim de semana que seja. Soa piegas, mas existe mesmo um milhão de maneiras de fazer o mundo melhor, e nós temos obrigação de melhorar. É compreensível para você que as empresas tenham que realizar trabalhos sociais? Se você pensar um pouco, verá que mais ou menos pelos mesmos motivos, você também tem obrigação de realizá-los.
Assim como a autora do e-mail, acho que pagamos impostos demais e que eles não são bem aplicados. Também acho que temos que cobrar isso do governo. Mas justamente por saber que estes impostos não garantem a manutenção de uma vida digna para todos nós, é que temos que nos sentir ainda mais motivados e imbuídos de um espírito de colaboração, e assim fazer um pouco mais para os que precisam. É necessário, porém, saber exatamente onde você está injetando seu dinheiro e/ou esforço. Como ela, eu jamais doaria qualquer coisa para o Criança Esperança, simplesmente porque sou um pouco cética, por tudo que já ouvi sobre golpes e desvios de dinheiro nestes projetos grandiosos. Creio que temos que nos envolver com os responsáveis dos trabalhos, criar uma relação de confiança com eles, até porque tem muita gente mal intencionada por aí. Leve isso em consideração.
Resumindo, a idéia é: leve sua influência Cristã a sério - ame seu próximo. Não seja egoísta e não se esconda em desculpas para deixar de fazer algo que está no seu alcance e que é sua obrigação. Uma única vida, humana ou não, que for beneficiada já é muita, muita coisa. Ao invés de comprar aquele sapato de R$300,00, compre um de R$250,00 e gaste o resto em material escolar para dez crianças (ou adultos) ou alimente 200 gatos por um dia. Só para citar dois exemplos que mostram o poder do dinheiro que você disperdiça...

2 Comentários:

Anonymous Che disse...

Oi Simone!

Obrigado pelo convite. Estou assinando embaixo (posso também assinar pelos "lados" e "acima", rs). Torço para que outros leiam seu texto e se motivem.

"Pensar globalmente e agir localmente."

Um grande abraço,
Che

10 de agosto de 2008 16:32  
Blogger O Digitador! disse...

Gostei do seu comentario no blog ato ou efeito.. aquele texto ridiculo sobre vegans.... tbm escrevi lah... mas estou aguardando moderação...

Bjosss

25 de setembro de 2008 09:21  

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